“Os homens têm acesso a empresas melhores”

Quem o diz são dois economistas da Universidade do Minho, Luís Aguiar-Conraria e Miguel Portela, dois dos melhores professores com quem contactei durante o meu percurso académico.

As conclusões foram retiradas trabalhando com dados enviados anualmente ao Ministério do Trabalho pelas próprias empresas – os Quadros de Pessoal – e observando duas coisas: salários e promoções.

Na verdade,  de acordo com o gabinete de estatísticas da UE, entre 2011 e 2016, o fosso salarial entre homens e mulheres em Portugal cresceu 4,6%. Também a PORDATA nos fornece dados interessantes, mostrando que a desigualdade salarial entre mulheres e homens em 2016 era de 15,75%, relativamente ao salário base, o que correspondia a 69 dias de trabalho não pago. Os autores constataram que há discriminação quer pelo salário quer pelas possibilidades de promoção existindo uma proporção muito maior de mulheres nas profissões mais mal pagas. Apontam ainda como conclusão interessante o facto de grande parte destas diferenças terem a ver com o facto de os homens estarem em melhores empresas que as mulheres.  

A diferença salarial e as disparidades no acesso a melhores oportunidades são, infelizmente, ainda uma triste realidade no mercado de trabalho.

Contudo, entidades e indivíduos são cada vez menos indiferentes a esta questão e o facto de estar em curso uma semana de luta contra a desigualdade salarial de género lançada pela CGTP é prova disso. A mudança é lenta e podemos sentir-nos impotentes perante esta lentidão. Assim, torna-se importante estarmos apetrechadas de material de autopromoção de alta qualidade. Um CV atrativo, uma carta de apresentação cuidada ou um cartão de visita original podem abrir-nos muitas portas.